Latest Entries »

terça-feira, 13 de abril de 2010

Piada sem graça?

Bem, antes de mais nada peço desculpa pela fraca actividade no blogue mas temos estado sem ideias e temo-nos focado noutras partes do nosso projecto, mas pretendemos que este blogue volte a funcionar com toda a força. Ora bem, estou aqui para partilhar algo que me chocou de ser certa forma convosco.
Enquanto "navegava" pela internet na aula de Área de Projecto procurando informações sobre Síndrome de Down deparei me com uma notícia de um comediante estrangeiro chamado Frankie Boyle que acha hilariante o facto de que um portador de Síndrome de Down morre mais cedo. Acho isto rídiculo e ao mesmo tempo chocante. Não percebo bem que raio de humor negro é este, peço desculpa pela agressevidade das palavras. A verdade é que a mãe de uma portadora da síndrome estava sentada na plateia e ficou bastante perturbada por estas piadas, sendo que em pleno espéctaculo humoristico houve uma troca de palavras pouco amigável entre o casal e o comediante. O caso tem gerado alguma polémica, causando a indignação de familiares de pessoas com esta deficiência. Aqui têm uma fotografia deste ridículo humorista, para quem não o conhece.

Mas bem, isto fez me pensar com mais atenção na esperança de vida de um portador de Trissomia 21. A verdade é que na associação em que fazemos voluntariado existe um utente com Síndrome de down com o qual temos uma relação bastante especial e que tem por volta de 48 anos... É algo que entristece um pouco, pois a maioria dos portadores desta síndrome vive até à meia idade aproximadamente. Pelo menos era disto que eu tinha conhecimemto, mas aparentemente têm sido feitas algumas melhorias neste campo, de acordo com a minha pesquisa.


Nos anos 20, a esperança média de vida de um portador desta deficiência rondava os nove anos de idade, pois este caso ainda não estava bem desenvolvido, e os cuidados médicos não eram os melhores. Porém graças a sucessivos avanços na medicina e descobertas neste campo, as condições de vida destas pessoas foram aumentado e também a sua esperança média de vida. Nos anos 40, a esperança média de vida rondava os catorze anos de idade e nos anos 80 subiu para cinquenta anos. Actualmente é cada vez mais comum, pessoas com Síndrome de Down viveram até aos sessenta, setenta anos, ou seja uma expectativa de vida muita parecida com a da população em geral. Em 2007 faleceu o portador de Trissomia 21 mais velho do mundo que contava com uns bons 74 anos de vida.

Resumindo, podemos dizer que existe muita esperança para portadores desta característica, e que o Frankie Boyle pode esquecer a sua piada sem graça =). Enquanto houver descriminação, haverá sempre alguém para a combater e nós estaremos cá.
Bem, e vocês o que acham? Existe alguma graça em fazer piadas cruéis, ignorantes e do humor mais negro possivél sobre Síndrome de Down? Quais são as vossas opiniões?


Se estiverem interessados em ler a notícia cliquem aqui.


Abraços, Rafa


PS: Quaiquer sugestões para este blog ou para as nossas sessões de voluntariado seriam apreciadas =)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Próximo dia 21 de Março comemora-se o dia internacional de Síndrome de Down

No próximo dia 21 de Março comemora-se o Dia Internacional de Síndrome de Down. Esta data foi proposta pela Down Syndrome International, como alusão à expressão "Trissomia 21" (21/03). Durante este dia, várias organizações organizam e participam em vários eventos relacionados com o Síndrome de Down, com o objectivo de alertar e sensibilizar as pessoas para com esta deficiencia.

Se ainda não se sente sensibilizado(a) para com este problema, recomendamos que veja um certo video que serve como propaganda de sensibilização. Clique aqui.

Dia 21, lembre-se dos portadores desta deficiência, pense em como é a vida destas pessoas, no facto de que podiamos ser nós, e no facto de que ninguém está livre de ter um filho ou um familiar com esta deficiência.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Olá pessoal

Olá pessoal. Antes de mais, peço desculpa por nunca mais ter feito um post neste blog, mas a vida de estudante é ocupada, e não tenho arranjado tempo, nem disposição. Bem, há várias coisas que eu gostava de partilhar com vocês. Quem me conhece, sabe que eu nao gosto de clichés nem de coisas do género, portanto vou vos dizer a verdade nua e crua. A minha experiência no voluntariado não tem sido facil. É claro que há pontos mais altos, e momentos memoráveis que passamos. Mas por vezes, ainda há a sensação de que não estou a fazer o melhor. Às vezes sinto que não estou a fazer algo de significativo ali. Há "jovens" da instituição que nos conhecem, e com os quais interagimos bem. Mas há que outros que nem por isso. Fico na dúvida, não percebo se o meu trabalho no voluntariado está de facto a ser significativo, ou se há utentes da instituição que não estão a gostar da nossa companhia, ou se simplesmente não conseguem comunicar. É complicado. Mas mesmo assim, existem pontos positivos a salientar.
A verdade é que tanto eu como os meus colegas conseguimos agora intereagir melhor com os utentes da instituição, e já sabemos melhor como lidar com eles, apesar de ainda termos algumas dúvidas e problemas de vez em quando. E temos estabelecido algumas relações especiais com alguns daqueles "jovens". Não sei sobre quais vos ei de falar, talvez sobre o "Chico", que acreditem ou não é um jogador exímio de ténis de mesa, ou sobre o "Manuel", que tem Síndrome de Down e que enquanto folheava uma revista sentado ao meu lado sempre que via uma fotografia de um homem ou de uma mulher dizia que eram os pais dele... Foi algo que me comoveu, pois a vivência familiar do "Manuel" com os pais e com a família é duvidosa.
Bem não sei bem o que dizer mais. As nossas experiências no voluntariado são complicadas, mas há momentos incalculávelmente positivos, memoráveis e especiais. São experiências de que nunca nos esqueceremos. Espero poder continuar a ajudar estas pessoas e fazer algo de significativo.

Abraços

domingo, 31 de janeiro de 2010

O primeiro dia de voluntariado

Nunca pensei em fazer algo assim, uma experiência totalmente diferente.
Desde já, sendo este o meu primeiro voluntariado, não sabia bem o que esperar, mas posso dizer que foi uma grande surpresa. Pensei que ia ser mais dificil, pois não sabia como é que iam reagir com a presença do grupo, mas lá conseguimos dar a volta ao assunto e a pouco e pouco ficámos mais à vontade, quer a dançar ou a cantar, e não foi tão dificil como pensámos e aparentava, e claro contando com a ajuda dos funcionários da associação que não nos deixaram sozinhos cooperando connosco.
Pela minha experiência, na primeira vez que passei por aquela porta e vi todas aquelas pessoas, que infelizmente transportavam consigo aquelas dificiências, mas que para mim são pessoas normais como todas as outras, senti-me um bocado intimidado, mas superei à medida que ia convivendo com eles naquelas poucas horas que lá estive.
Mas a maneira como fomos recebidos foi surpreendente por todos aqueles que se encontravam na associação da APADP.
Os elementos do grupo divertiram-se e brincaram, mas o mas importante foi animar o pessoal da APADP, que mostraram uma grande adesão.
Vimos que a maioria recebeu a nossa presença na associação muito bem, e estamos ansiosos para lá voltar com a alegria que demonstrámos no primeiro dia de voluntariado.

Abraços Amir :-)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

2ª sessão :)

Acho que estamos finalmente a perceber o quanto vale o sorriso de quem precisa.
Achei que iria chegar lá e que, por sofrerem todos de diferentes deficiências profundas, quase nenhum deles nos fosse reconhecer, mas enganei-me. Não há nada mais gratificante do que sentirmos que apreciaram o nosso trabalho e esforço e que anseiam por mais e foi isso que nós sentimos.
Chegámos, esperámos um pouco para entrar e depois então montámos as nossas coisas. Foi uma sessão mais calma que a primeira: começámos com música de um cantor muito pedido por eles, Tony Carreira, dançámos "kuduro", tocámos guitarra e cantámos imenso.
Já custa e deixa saudade de cada vez que temos que os deixar e ir embora. É o momento mais díficil.
Agora resta-nos esperar pela próxima sessão e preparar novas surpresas para a nossa nova segunda família. :)

beijocas, Célinha *

domingo, 24 de janeiro de 2010

a nossa primeira sessão (L)

Já concretizámos a nossa primeira sessão de voluntariado (se é que lhe podemos chamar assim) lá na associação e adivinhem... FOI UM ESPECTÁCULO.
Nós, os quatro mosqueteiros mais a Carolina (uma amiga que se juntou a nós nesta nova aventura), entrámos na associação por volta das três e meia e a D. Manuela entregou-nos de imediato os nossos cartões de identificação.
Nós colocámo-los e dirigímo-nos para a sala de actividades.
Honestamente nós fomos para lá um bocado às escuras. Tínhamos uma ideia de como puxar por eles mas nada em concreto, mas acabou tudo por correr bem graças a uma boa dose de improviso e boa vontade.
Então, as auxiliares começaram por trazer os meninos para a sala e entretanto nós ligámos a aparelhagem e o Rafael preparava a guitarra.
Nós cantámos com eles. Nós pulámos com eles. Nós dançámos e fizemos uns quantos comboios com eles. Nós abraçámo-los. Nós distribuímos beijinhos. Nós criámos laços e nós ADORÁMOS.
Acho que a ânsia já percorre a nossa pele para esta terça-feira que está a chegar :D


Por: célia e andreia

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

E como será estar ligado a este 'mundo' 24h por dia?

Foi esta a pergunta que fiz para mim ao entrar na associação pela primeira vez e à qual respondi mais tarde que certamente seria óptimo.
Os guinchos agudos que se fizeram ouvir à entrada entoaram na minha cabeça de uma forma estonteante. Fiquei assustada confesso, e a ideia de que me iria ligar a este novo mundo fazia-me temer toda esta ideia do voluntariado.
Mas lá fomos nós não é, porque quem não arrisca não petisca... e acreditem que não me arrependo em nada de ter avançado !
Os primeiros instantes de conversação com a assistente social foram estranhos, não sabíamos bem o que dizer e estávamos um bocado tímidos com aquela nova situação, mas o conhecer as pessoas que lá trabalham, o conhecer a estrutura da instituição foi o culminar de uma esperança arrebatadora.
Mas calma, eu não vou tocar mais nesse assunto, porque o Rafael já deixou claro que aquilo é um máximo em termos de condições, portanto vou antes explicar o que é sentir na pele o primeiro contacto.

Eu confesso que sou um bocado sensível e já sabia de antemão que não iria sair pela porta que entrei sem que os meus olhinhos se humedecessem. E não é que nos mostraram a sala de actividades, repleta de seres humildes, alegres e simpáticos e que 3 deles vieram de imediato ao nosso encontro para nos saudar? Juro que foi um primeiro encontro tocante. E ao virar da porta, encontramos o Tó. Foi ele que me deu a melhor saudação possível.
Chegou-se a mim e tomou-me a mão. Eu não a retirei. Ele beijou-a e abraçou-me, como se eu fosse uma pessoa que ele já conhecia desde sempre ou até alguém por quem nutria um carinho enorme. Após isto, disseram-lhe que ele já não poderia ir com as auxiliares a um local... o rosto dele esmoreceu e pôs em prática uma espécie de birra - admiro-lhe a esperteza - mas ele tem problemas de coração e não pode fazer esforços muito intensos. Para evitar a birra, a assistente social pergunta-lhe:
- ó Tó, não gostas da andreia?
Ele acena afirmamente com a cabeça. Abracei-o. O meu coração derreteu instantaneamente.
Ele teve de se retirar para a sala de actividades e nós tínhamos de prosseguir a visita guiada, mas assim que ele virou as costas, a emoção tornou-se maior que o meu metro e setenta. Tentei-me controlar, e até consegui não me desmanchar a chorar, mas achei incrível o amor que estes seres humanos partilham à primeira instância. Adorei, e saí de lá feliz como os meus companheiros, aposto, pois afinal, e como diz um anúncio na televisão, "existem histórias escritas com o coração e com a tinta da esperança"... e quase que aposto que esta será uma delas.


beijinhos, Andreia (: